Notícia » Enedec »


  

16.03.2008 às 00:06

Lideranças do movimento defendem rede articulada


A promoção de um ato conjunto de várias entidades de defesa do consumidor e outras ONGs neste Dia Internacional do Consumidor em Curitiba mostrou que é possível juntar os diferentes órgãos e instituições para defender um bem comum. Unidos em torno da bandeira “Diga não aos Transgênicos”, entidades tão diversas e que atuam há muito tempo cada uma em seu segmento, unem forças para conseguir maior visibilidade para essa causa.

“Há muita gente fazendo muito há bastante tempo, mas de forma pouco articulada”, afirma Moacir Darolt, da ACOPA. Ele comenta que o Ato contra os transgênicos mostrou pontualmente que é possível estabelecer uma ligação maior, formar uma rede mais organizada, uma “Teia da vida”, onde os interesses da sociedade sejam defendidos de forma mais eficaz. “Este tipo de espaço é interessante para manifestação (refere-se à feira de orgânicos em que o Ato foi promovido). Poderíamos usar mais espaços como este para promover o encontro de pessoas”, expõe.

Moacir explica que é num ambiente como a feira de orgânicos que o contato direto entre produtor e consumidor se estabelece, uma característica importante para a educação ambiental. Em feiras tradicionais esse encontro já praticamente não acontece, na medida em que – regral geral - os feirantes revendem os produtos adquiridos no Ceasa. “O encontro aqui não é formal, não é reunião, é um ambiente mais alegre, de aproximação mais agradável”, diz.

MILHO AMEAÇADO
Luiz Melão, presidente da AOPA, questiona: “Será que se tivéssemos nos organizado antes teria sido aprovado o milho transgênico no Brasil?”. Fica a dúvida no ar, mas o fato é que ele também defende uma luta conjunta. Ele espera que o abaixo assinado a ser encaminhado à Presidência da República, exigindo do presidente Lula um posicionamento sobre a liberação do milho, seja multiplicado aos milhões nos vários setores da sociedade. “Vamos conseguir 10 mil, 100 mil assinaturas? Isso só é possível com a união das organizações”, pondera, dizendo que nunca é tarde para se lutar pela causa.

Melão explica que a transgenia para o caso do milho é mais séria do que é para a cultura da soja: o milho tem a polinização cruzada (realizada pelas abelhas e pelo vento) em até dois quilômetros de área, o que pode contaminar rapidamente uma lavoura, o que torna imensa a preocupação de sua associação, que atende a aproximadamente 250 famílias de pequenos agricultores.

Ele trouxe para a feira diversas espécies de milho crioulo, preservadas pelos produtores filiados. Cada produtor que tinha em sua propriedade alguma variedade diferente que quisesse preservar compartilhava as sementes com os demais e, num sistema de mutirão, a variedade era plantada pelo coletivo. Muitos dos milhos expostos soaram como verdadeira novidade para o público que já tinha perdido contato ou mesmo nunca chegaram a conhecê-los. O agricultor levou para a exposição também o milho crioulo, resultado do cruzamento de três espécies e que, depois de um trabalho de dois anos de melhoramento, mostrou-se muito produtivo. “Nossa biodiversidade é muito rica, não dependemos de modificações em laboratório para o consumo humano”, esclarece.

Assim como as variedades de milho, os agricultores resgataram também o cultivo da erva-mate e nos últimos tempos vêm trabalhando com essa cultura para um “consumo próprio”. Melão explica que ninguém quer mais comprar a erva no mercado, pois voltou a conhecer o gosto de um produto cuidado artesanalmente. Mais do que variedades de alimentos, o agricultor destaca que se está defendendo mesmo a vida: “Se não defendermos, daqui a pouco estaremos comendo ração, como os animais, com tudo misturado e sem sabermos o que estamos comendo”, alerta. Comenta ainda que nos mutirões de plantio até uma antiga tradição – o acender de uma fogueira no encerramento do plantio foi resgatada e hoje se faz desse ritual da vida uma verdadeira festa. Na última mais de 80 agricultores marcaram presença.

GREENPEACE
A manifestação contra os transgênicos também foi focada no alerta à população de que muito se está consumindo de produtos industrializados com altas possibilidades de conterem transgênicos. Um carrinho de supermercado com produtos que podem contem transgênicos, de acordo com o Greenpeace, foi colocado em exposição para a população.

ALIMENTAÇÃO NATURAL
Também uma oficina foi montada por nutricionistas para mostrar que a alimentação saudável pode ser barata e saborosa. A professora da UFPR Thaísa Santos Navolar e suas alunas do curso de Nutrição da universidade promoveram pela terceira vez a oficina que visa incentivar e valorizar o consumo consciente. Utilizando folhas de hortaliças que geralmente vão para o lixo, como folhas de cenoura e beterraba, fizeram um suco de clorofila, incluindo cenoura, maçã, sementes de trigo, girassol, broto de alfafa e grama de trigo, que é a planta em estágio inicial e que tem alta concentração de clorofila. O público degustou, aprovou e ainda levou a receita e orientações para fazer em casa.

Na foto, Moacir Darolt, da ACOPA.



Veja Também »



  

2008 - forumdoconsumidor.om.br - Todos os direitos reservados.