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15.03.2008 às 22:52

Ato Público Contra o Milho Transgênico


Luiz Bueno, da AOPA, mostra variedade de milho crioulo
Foto: Izabel Liviski

O Ato Público reuniu representantes das entidades de defesa dos consumidor e outras ONGs e cidadãos igualmente contrários à medida que liberou o milho transgênico no Brasil. A manifestação aconteceu no Passeio Público de Curitiba, local onde tradicionalmente acontece uma feira de produtos orgânicos todos os sábados. As entidades realizaram uma panfletagem com o Manifesto Contra o Milho Transgênico - Um Alerta à População. No manifesto, as entidades explicam que sete ministros ignoraram argumentos técnicos e legais contra a segurança sanitária e ambiental de variedades da Bayer e Monsanto e aprovaram em 12 de fevereiro passado a liberação de duas espécies de milho transgênico. Os votos contra a liberação foram dos ministérios da Saúde, do Meio-Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca - SEAP.

A exemplo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), composto por 11 ministros, ignorou farta documentação com evidências contra os milhos transgênicos da Bayer (Liberty Link) e Monsanto (MON810) e autorizou em fevereiro o plantio e comercialização no país dessas duas variedades geneticamente modificadas.

As variedades autorizadas no Brasil pelo CNBS foram proibidas em inúmeros países. No Reino Unido, por exemplo, a própria Bayer retirou seu pedido de liberação comercial, já que não podia garantir a segurança do milho Liberty Link. No caso do MON810, a lista de países europeus em que ele está proibido é extensa e relevante: Alemanha, Áustria, França (maior país agrícola da Europa), Grécia, Hungria, Polônia e Suíça.

As entidades de consumidores, de ambientalistas e de agricultores familiares, entre outras, repudiaram a decisão do Conselho, mas querem expressar de forma mais veemente sua contrariedade e alertar a população brasileira sobre os riscos desses produtos, além de cobrar das autoridades e das empresas o respeito à lei de rotulagem, que exige a identificação de todos os produtos fabricados no país com 1% ou mais de matéria-prima transgênica.

Colaboraram nesta ação entidades nacionais e do estado do Paraná, dentre elas, o Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor, o IDEC - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, a ACOPA-Associação dos Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná, a ADOC-Associação de Defesa e Orientação do Cidadão, a AOPA - Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia do Paraná, o Grupo de Estudos de Agricultura Ecológica, a Terra de Direitos e o Greenpeace.

Na foto, Luiz Bueno, da AOPA, mostra variedade de milho crioulo que estaria ameaçada de extinção com as lavouras de milho transgênicos.



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