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14.03.2008 às 15:32

Campanha sobre publicidade de alimentos não saudáveis

A campanha tem como base o Relatório Brasil, produzido pelo presidente do Fórum, Sezifredo Paz e por Rômulo Ferreira, da ADOC de Curitiba, com base na pesquisa de mercado feita por Keila Renata Tavares. O trabalho faz parte da pesquisa global da Consumers Internacional.

A Consumers International, federação internacional que congrega mais de 200 associações em todo o mundo – entre elas o FNECDC -, convidou todas as suas filiadas a participarem dessa pesquisa desencadeada em âmbito global. A entidade justifica essa ação pelo fato de que a obesidade se converteu em uma pandemia global, em que 22 milhões de crianças menores de 5 anos são obesos. A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de adultos em todo o mundo têm um peso excessivo e 300 milhões são obesos, o que os predispõe a desenvolver “enfermidades não transmissíveis” como a diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, hipertensão arterial, infarto cerebral e algumas formas de câncer.

“O objetivo desta pesquisa, portanto, é, atendendo ao pedido da Consumers International, coletar a maior quantidade de informação no Brasil acerca da publicidade e promoção de alimentos não saudáveis dirigida a crianzas”, explica Sezifredo Paz. No Brasil, o consumo irracional na infância é fonte crescente de preocupação por parte de pais, educadores, profissionais ligados à proteção aos direitos das crianças e das organizações sociais de defesa do consumidor.

Sezifredo explica que as associações filiadas ao Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor entendem que os argumentos dos segmentos contrários à regulamentação da publicidade não têm respaldo constitucional. Afirma que agirão em 2008 para a aprovação de um regulamento apropriado pela ANVISA, embasado na Consulta Pública 71/2006.

Confira as conclusões do Relatório Brasil:
. Uma das graves conseqüências do problema revela-se na alimentação inadequada baseada na ingestão de alimentos com altos teores de sal, açúcar e gorduras, contribuindo para níveis crescentes de obesidade e sobrepeso em crianças e adolescentes.
. Há uma massiva campanha publicitária promovida pelas empresas de alimentos, utilizando as mais diversas estratégias para atingir esse público. A maioria das empresas de alimentos - nacionais de grande porte e multinacionais - promove tais campanhas, entre outros meios, por televisão, internet e diretamente nos rótulos e locais de venda e alimentação (fast food).

. Há um consenso entre as associações de consumidores, outras organizações sociais e algumas autoridades que a publicidade para crianças deve ter uma sólida regulamentação, atendendo o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

. No entanto, iniciativas governamentais de regulamentação, como a promovida pela ANVISA, encontram sérias resistências do setor empresarial, especialmente empresas de publicidade, de alimentos e meios de comunicação.



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